Brejo
da Madre de Deus
e sua Região Pré-Histórica
"Furna do Estrago"
em Pernambuco, Brasil.
Apresentação do Hotel Pousada Peter
- Galeria de Arte,
Olinda, Pernambuco, Brasil.
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A
Cidade de Brejo da Madre de Deus,
com seu Sítio Arqueológico
"Furna do Estrago",
uma das jóias pré-históricas brasileiras.
Pesquisas
Arqueológicas em Pernambuco,
da Universidade Católica de Pernambuco,
Recife, Pernambuco, Brasil
Sítio
Arqueológico Furna do Estrago
A
Furna do Estrago, abrigo sob rocha localizado no município do Brejo
da Madre de Deus, Pernambuco, escavado pela equipe de arqueologia da
Universidade Católica de Pernambuco-UNICAP, é um dos mais
importantes sítios arqueológicos brasileiros.
Formado pelo desabamento de um grande
bloco de rocha granítica, no sopé da Serra da Boa Vista durante a
glaciação de Riss, o abrigo foi preenchido por blocos de rocha e
sedimentos soltos pelo intemperismo físico, transportados em
violentas precipitações torrenciais, provavelmente durante a
glaciação de Würm.
Constituído
por um único salão de 125m² de área coberta, com abertura voltada
para nordeste, o abrigo é bastante arejado, seco e iluminado. Diante
dele estende-se um patamar delimitado por grandes blocos de rocha granítica,
alguns contendo arte rupestre, de onde se pode observar o vale a 27m
abaixo e o relevo aplanado na direção da calha do Rio Capibaribe,
dentro de uma vegetação de Caatinga, característica do semi-árido
nordestino.
Da sucessiva utilização do sítio
como habitação por grupos caçadores coletores numa seqüência
temporal de aproximadamente dez mil anos, resultou uma estratigrafia
em que predominam as lentes de
fogueiras superpostas, formando pacotes de cinzas, e sedimentos finos,
soltos, secos, de cor parda, fáceis de escavar, contendo restos
alimentares e toscos artefatos de pedra e osso.
Há cerca de dois mil anos, este sítio
passou a ser utilizado como cemitério. A estratigrafia construída
pelo homem, desde o início do Holoceno, foi intensamente perturbada
com a abertura de dezenas de fossas funerárias. Apenas uma área próxima
do fundo do abrigo permaneceu intacta e foi tomada para estudos
estratigráficos e de distribuição dos restos alimentares
possibilitando interpretações paleoclimáticas.
Constatou-se que os recursos
alimentares animais e vegetais disponíveis na região, e utilizados
pelo homem pré-histórico, permaneceram os mesmos ao longo dos últimos
onze milênios, indicando que não houve alterações ambientais
significativas durante o Holoceno.
Da ocupação do sítio como cemitério
resgataram-se 83 esqueletos
humanos encontrados em bom estado de conservação. As condições
ambientais favoreceram a rápida desidratação da matéria orgânica
e a preservação da pele, dos cabelos e do cérebro em alguns indivíduos,
bem como, do artesanato em palha utilizado no ritual funerário.
Observou-se a persistência de um padrão de sepultamento em que os
corpos eram colocados na posição fletida (fetal) amarrados com cipós
e embrulhados em esteiras de folhas de palmeira, compondo verdadeiros
fardos funerários. Em muitos casos as fossas funerárias estavam também
forradas com folhas de palmeira. Os recém-nascidos eram depositados
em pequenos cestos ou em espatas de palmeiras. Os adultos estavam
acompanhados de colares e alguns levavam flautas ósseas e tacapes.
Os
recém-nascidos não levavam adornos, com exceção de um que estava
acompanhado de duas pequenas contas discoidais de amazonita. Em todos,
adultos ou crianças havia matéria corante - ocre (óxido de ferro),
triturado.
Estudos de antropologia biológica
realizados sobre esses esqueletos revelaram tratar-se de uma população
homogeneamente braquicéfala, de estatura média-baixa, robusta, com
estado de nutrição satisfatório e boa adaptação às condições
ambientais. O acentuado desgaste plano dos dentes e a ocorrência de
poucas cáries nesses indivíduos indicam uma alimentação à base de
vegetais não cozidos, característica observada em grupos caçadores
coletores.
Este grupo humano pré-histórico era
portador de patologias como a espinha bífida oculta, atribuída ao
consumo de batatas tóxicas; variação numérica das vértebras
(presença de uma vértebra a mais no sacro e na região lombar),
conseqüência de casamentos consangüíneos, osteofitose e artrose,
além de fraturas freqüentes decorrentes de quedas sobre a bacia e os
pés. Em 18 amostras de coprólitos analisadas em função de
parasitos, em apenas uma foram encontrados ovos de Trichuris trichiura.
Nos
coprólitos foram ainda identificados vestígios de carvão, de penas,
de pêlo e ossos de pequenos animais, sementes de cactos e fibras
vegetais. Uma amostra continha uma falange humana, o que comprova a prática
eventual da antropofagia.
Outro padrão de sepultamento foi
praticado em período mais recente, há cerca de 1.000 anos, com a
cremação dentro do abrigo, de um indivíduo adulto de sexo feminino.
Alguns cacos cerâmicos estavam associados a esta ocupação mais
recente.
A Universidade Católica de Pernambuco
dispõe de um museu arqueológico, inaugurado em 1987, para divulgação
dos achados da "Furna do Estrago", que é continuamente atualizado com
os resultados das pesquisas.
A
Universidade Católica de Pernambuco, bem como seu Museu
Arqueológico, localizam-se em Recife, no seguinte endereço:
O
Museu Histórico do Brejo da Madre de Deus fica no Casario
Colonial do final do século XVIII e início do século XIX ricamente
decorado com raríssimos azulejos portugueses em suas fachadas e
pinhas em louça.
O
Casario Colonial faz parte do Patrimônio Histórico e Cultural
compondo um cenário urbano que nos remete a um passado distante.
Para
ver as fotos do Sítio Arqueológico "Furna do Estrago"
na cidade Brejo da Madre de Deus, clique aqui !
ARQUEOLOGIA
BREJO DA MADRE DE DEUS
Indígena pré-histórico
tinha má formação óssea
Pesquisadores da Unicap
analisaram 73 das 80 ossadas retiradas no Brejo da Madre de Deus e
chegaram à conclusão de que problema decorria da consangüinidade.
Em arqueologia, é comum se dizer que
os homens pré-históricos caçadores e coletores costumavam ter os
ossos quebrados em função da atividade física. Pesquisa realizada
com esqueletos escavados no semi-árido pernambucano, no entanto,
revela que os acidentes também eram provocados por má formação
óssea decorrente da consangüinidade. Segundo os pesquisadores da
Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), que analisaram 73 das
80 ossadas retiradas do Brejo da Madre de Deus, a 219 quilômetros
do Recife, o grupo era pequeno e isolado. “Isso provavelmente
contribuiu para o cruzamento entre parentes próximos”, avalia a arqueóloga
Jeannette Lima.
De acordo com a pesquisa, a freqüência
de
anomalias genéticas na Furna do
Estrago é superior à de outros
grupos indígenas pré-históricos e atuais do Brasil. Entre os
problemas encontrados, um dos mais freqüentes é a espinha bífida,
provocado pelo fechamento incompleto da vértebra. “Essa má formação
fragilizava as vértebras, propiciando fraturas que ocorriam também
associadas ao estilo de vida”, diz Jeannette. A pesquisadora arqueóloga
Jeannette Lima, que estuda o sítio arqueológico desde 1983,
aborda o tema em sua tese de doutorado,
intitulada O Sítio Arqueológico de Furna do Estrago (Brasil) numa
Perspectiva Antropológica e Social, pela Universidade Nacional Autônoma
do México (Unam).
Outra má formação detectada pela
equipe, que contou com colaboração de pesquisadores da Fundação
Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro, foi a existência de
dentes a mais ou a menos. “Também vimos a sacralização, que é
a fusão da quinta vértebra lombar com a primeira do sacro (base da
coluna)”, diz. Para a pesquisadora, a má
formação óssea possivelmente também dificultava a locomoção do
grupo, que utilizou a Furna do Estrago como cemitério durante 250
anos, entre 1860 e 1610 anos atrás.
Embora tenha sido a principal, a
consangüinidade não foi a única causa que contribuiu para a má
formação óssea dos antigos ocupantes do abrigo de pedra. De
acordo com Jeannette Lima, que coordena o laboratório e Museu de
Arqueologia da Unicap, alimentos tóxicos teratogênicos, como a
semente de mucunã e algumas espécies de mandioca, são outra hipótese.
Jornal do
Commercio Recife,
16. 05. 2001, Quarta-feira
Hotel Pousada
Peter
- Galeria de Arte
Proprietário
e Gerente Peter Bauer Rua do Amparo, 215 –
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