
Peter
M. Bauer
Artista
Plástico
Perfil do Artista
Peter
M. Bauer
nasceu em Wolnzach/Bayern - Alemanha. Começou a
trabalhar com artes plásticas em 1960 (aos 14 anos
de idade), em Stuttgart, fazendo cerâmica,
tapeçaria, batik (pintura em tecidos) e máscaras. Aperfeiçou sua
técnica, durante quatro anos, com o
mestre Gerhard Schmid e, durante três anos, com Dodo
Kroner. A partir de 1967, começa a dedicar-se
exclusivamente à pintura. Em 1970, adquire e domina
uma técnica bem própria, deixando a temática de
retratos de figuras humanas para incursionar detalhes
da fauna e da flora. São peixes, pássaros, frutas e
folhas, que mantém e aperfeiçoa até hoje, em
várias tamanhos, desde o mini quadro até o de
maiores dimensões.
Quando passou as
férias em Pernambuco, Brasil, em 1987, Peter M. Bauer descobriu o encanto e a magia de
Olinda. Apaixonou-se pela cidade e veio morar nela,
em 1991, adquirindo casarão na Rua do Amparo, 215,
dividindo-se entre Stuttgart - onde trabalhava e
residia - e Olinda, alimentando o sonho de vir morar
na Cidade Patrimônio Natural e Cultural da
Humanidade. Finalmente, isso aconteceu em 1998,
definitivamente, com a inauguração de seu Hotel Pousada Peter e do seu ateliê na Rua do Amparo,
215,
hospedando pessoas de todas as partes do mundo e
sendo visitado por turistas de outros centros do
Brasil e do exterior.
Peter
M. Bauer
sempre teve uma participação
muito ativa no movimento e no mercado de artes
plásticas da Alemanha, realizando várias
exposições itinerantes em diversos centros da
Alemanha, em Nova Iorque e San Francisco
(individual), nos EUA. Os quadros deste artista fazem
parte do acervo de colecionadores de várias partes
do mundo, e também de museus e galerias da Europa.
No Brasil, realizou quatro mostras individuais de
grande sucesso: na Patrymony Corpo e Arte (1995),
Shopping Center Guararapes (1996), Oficina do
Sabor/Olinda (1998) e na inauguração do seu ateliê
na Rua do Amparo, 215, Olinda/PE (1999). Tem como
produtor cultural o crítico de arte e jornalista
Valdi Coutinho, também artista plástico e teatrólogo.
DEPOIMENTO
Em Busca da Síntese
O artista é o
organizador do caos, o sistematizador das formas; ele
dá sentido e rumo aos fenômenos da percepção
visual criando um novo saber sobre o mundo através
do olhar.
O trabalho de Peter M.
Bauer são registros de uma determinada experiência,
documentos visuais que se justificam e se completam
através de uma produção seriada que tem por
objetivo analisar e dissecar o tema proposto através
de uma repetição progressiva que se projeta no
tempo e no espaço.
Diante da realidade o
artista age com um instrumental próximo às
reportagens científicas, eliminando aspectos
secundários e concentrando-se na força intrínseca
do objeto fruto de análise. A síntese, aqui, é a
ferramenta da razão, é a base de partida da ação
da arte. "Ver é ter à distância"
ensina-nos Merleau-Ponty. E o artista necessita desse
distanciamento para apropriar-se do objeto de seu
estudo.
Em todos os assuntos
que compõem o repertório temático do artista as
preocupações essencialmente cromáticas cedem lugar
a alguns aspectos constitutivos do objeto em
questão. O fundo é tratado como espaço neutro, com
áreas chapadas cuja luminosidade remete-nos à
luminosidade tropical e, também, a uma opção de
clareza, destacando a matéria e a riqueza do
elemento formal figurativo que parece, por vezes,
querer abandonar o terreno pictórico para buscar
afirmar-se no campo tridimensional, aspirando ao
volume escultórico.
Artista com formação
profissional européia, percebe-se o preciso
conhecimento que dispõe sobre os materiais que
trabalha. A ela, o artista acrescenta uma poética
enamorada pela luz e lendas dos trópicos, em
especial pelos mistérios e belezas de Olinda, cidade
que escolheu para trabalhar e viver. Sem buscar o
folclórico e evitando o barroquismo piegas que
muitas vezes seduz o estrangeiro, Peter M. Bauer
desenvolve uma obra contida na qual a beleza se
revela de maneira suave e enigmática como o sorriso
da Mona Lisa. Descobrir o mistério das coisas
simples, eis o desafio maior para o ser
contemporâneo, muitas vezes obrigado a imprimir um
ritmo alucinante de vida em busca da histeria da
novidade, imposição de uma sociedade determinada
pela cultura da massa e pela ideologia da moda. Em
meio a esse burburinho, o artista nos propõe uma
arte que seja bela e simples como um copo de cerveja
gelada, que excita os sentidos e provoca o
pensamento. A arte, aqui, deve ser vista como um
bálsamo visual para o corpo cansado das agruras do
dia-a-dia, defendida por artistas do porte do genial
Matisse. E nós devemos saudá-la com o prazer de um
brinde. Saúde!
Marcus
de Lontra Costa
Diretor do Museu de
Arte Moderna Aloisio Magalhães Rua da Aurora -
Recife - Pernambuco - Brasil
Recife, Agosto de 1999
Essay
O
Caminho da Síntese
Próximo da Inocência
Marco Polo (*)
De
Stuttgart a Olinda, da adolescência à maturidade, há um fio
condutor na vida de Peter M. Bauer: a arte. Como o amante da época
romântica, que à amada tudo dá sem nada esperar de volta, Peter
tem orientado sua vida no sentido de expressar sua visão artística,
sem ter que se preocupar de viver disso. Começando pela pintura,
passando para a cerâmica, depois a colagem, investindo na tapeçaria
e, em definitivo, retornando à sua primeira linguagem, em todo o
tempo o artista esteve preocupado apenas em fazer a sua arte. E de
tal forma foi apegado a isso, que sempre manteve uma atividade
paralela que suprisse suas necessidades materiais, para que sua arte
estivesse comprometida só com ela mesma, e nada mais.
Assim,
em Stuttgart, onde era auditor do estado; assim, em Olinda, onde tem
uma pousada. Que serve também como galeria para seus quadros, é
certo. Mas aqui ele vai logo avisando, para evitar equívocos, que não
faz souvenir para turistas. É a reafirmação do seu zelo pela
independência de seu trabalho artístico. O visitante vai levar uma
obra de arte, não uma peça de artesanato folclórico.
Peter
veio da Alemanha, apaixonou-se por Olinda, e agora se considera, com
propriedade, um artista da terra. Deixou notoriedade e boas vendas
na Europa. Ao contrário de tanta gente que daria um braço para ser
famoso lá fora, ele quer ser reconhecido aqui. Quer retribuir, com
suas arte, a terra que iluminou sua paleta. E nisso dá uma lição
de sabedoria: o importante, para o artista, deve ser a sua expressão
e a visibilidade disso no lugar onde ele mora. O resto vem depois.
Essa
fidelidade teutônica a seus princípios – apesar de
“olindizado”, Peter continua sendo um europeu – também se
reflete no seu percurso artístico. Acompanhando-lhe a trajetória,
percebe-se que desde o início ela aponta para algumas constantes: a
simplificação das formas, as cores chapadas, uma certa fantasia
caricatural. Um aparente fazer simples. Aparente, sim, porque é um
simples com muitos “esses”. Os muitos “esses” do que
ultrapassa a superfície da sofisticação para alcançar os nervos
da essência. A verdadeira arte é tão simples quanto difícil.
Essa
retrospectiva mostra como o artista vem minimalizando seus recursos.
Em seus polvos, flores, bichos inventados, o supérfluo é de tal
forma desbastado que algumas figuras beiram a abstração. Em
perspectiva, ver esse trabalho desde seu início até agora dá a
sensação, sempre saudável,
de que é uma obra e m progresso, a caminho de uma síntese
cada vez mais próxima do gesto inocente. O maduro europeu Peter M.
Bauer, sem trair a si próprio, vai despindo cada vez mais o peso de
velhas tradições e erudições, para alcançar, como um Adão
olindense, puro e nu, a arte essencial que vem perseguindo desde a
adolescência.
(*)
Marco Polo
Jornalista,
ex-diretor do Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães, Recife,
Pernambuco, Brasil, no período 1999 - 2001
Candeias
– Pernambuco - Brasil, Julho de 2001

Hotel Pousada Peter
- Galeria de Arte
Proprietário
e Gerente Peter Bauer
Rua do Amparo 215
Olinda – Pernambuco – Brasil
CEP: 53020 - 170
Fone/ Fax: 0055 - 081 - 3439.2171
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